Acho que comecei a entender
porque os humanos dizem que perder alguém é doloroso, embora eu não saiba o que
é dor, eu sinto como se fosse uma caldeira vazia. Estou começando a ter
vazamentos, óleo está saindo dos meus olhos mecânicos, já vi isso ocorrer, humanos
chamam de lágrimas ou choro; aquela velha senhora disse que estou mudando, que
existe algo além de metal e parafusos dentro de mim.
Encontrei outro dia essa mesma senhora de
joelhos no chão, parecia que estava chorando, quando a questionei ela disse que
estava orando. Pedi que me explicasse o que era orar e pra quem ela fazia isso;
sua resposta veio rápida: "Orar é falar com Deus". Mais dúvidas
surgiram. Quem é Deus? Os humanos falam muito dele; ela me explica que Deus
criou todos os humanos.
Me ajoelho ao lado dela e começo a falar
olhando para o chão: "Se Deus é quem nos criou, então IBB é a deusa que me
criou; 'IBB, se podes escutar minha... oração, peço-lhe que me digas o que está
acontecendo comigo, por que meus circuitos estão ficando descontrolados? Me
criastes através de peças usadas de outros robôs antigos, me destes esta bomba
que chamo de coração, mas por que não consigo me adaptar? Não me ensinastes as
coisas deste mundo novo, não me dissestes que o sentimento dos humanos seria
algo forte e me faria entrar em curto. Mesmo que você não esteja aqui me
ouvindo, eu lhe agradeço por ter me criado, por ter me dado oportunidade de
aprender tantas coisas, mesmo que muitas delas ainda sejam um mistério. Eu
serei eternamente grato a você deusa IBB'.
Assim que levanto a cabeça e olho para aquela
senhora, me deparo com ela chorando e falando que pela primeira vez vê um robô
orar e sentir que este possui sentimentos. Assim que ela me abraça, um curto
ocorre em meu corpo, agora sei que isso não é um curto de verdade e sim a força
dos sentimentos humanos.
- Stuart Abe Dinamo. (S.A.D)
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